Sim, temos bruaca!

Atualizado: 11 de fev.

Bruaca, meu povo. A tradicional. Aquela com sabor de infância e que faz lembrar a avó da gente. Uma iguaria simples, comum e sem muita sofisticação, mas que tem um grande significado para a memória de muitos nordestinos.


Além da incontestável afetividade, é possível encontrar muitas histórias e tradições relacionadas à querida merenda cearense.


Por exemplo, não é raro ouvir a bruaca ser chamada de  “bolo de pobre”. E o motivo pode ser compreendido ao olharmos para um aspecto comum a muito da gastronomia nordestina.


Boa parte da nossa gastronomia é notadamente significada pela falta. Historicamente houve e ainda há grande escassez de alimentos e outros tantos itens essenciais para a sobrevivência de muitos dos nossos conterrâneos. 


Há variados tipos de registro que documentam as condições de vida do nordestino. A vida sertaneja foi (e com frequência ainda é) marcada pela falta e privação do básico à vida.


Em virtude da insuficiência, muitos pratos de nossa terra nasceram com uma composição muito simples. Pois afinal, foram “feitos com o que tem”.


A bruaca tem um processo de produção "parecido" com o do bolo. No entanto, possui menos ingredientes, é uma mera fritura, tem menos refinamento de preparo e por esses motivos, pode ser entendida como mais "grosseira" comparativamente a uma confeitaria requintada. 


Provavelmente por essa razão, assim como a outros pratos, coletivamente associou-se a bruaca ao status de comida de pobre. E tal qual a muitos outros alimentos que nasceram em condições de miséria e falta, se consagrou no gosto geral com o passar do tempo. 


Como muita coisa presente na mesa nordestina (e até mundial, na verdade) o que um dia foi discriminado encontrou um lugar de prestígio. 


Olhando para a nossa bruaca torna-se fácil lembrar das famosas panquecas de origem francesa (se você as conhece). Muito embora, logicamente, a nossa iguaria seja indiscutivelmente, incontestavelmente e múltiplas vezes melhor.


Obviedades à parte, é especulado que a nossa bruaca possa ter surgido durante e em meio aos processos de colonização, especificamente pela região do Maranhão. A informação torna válido o questionamento sobre se além do Forte de São Luís do Maranhão os franceses deram a ideia inicial para a receita da nossa bruaca. 


Hoje a bruaca é consumida de muitas formas. Alguns até preferem as suas com alguma calda, mel ou chocolate, ao modo da tradição americana em suas iguarias semelhantes. É um claro sinal de influência globalizada, e que a bruaca é hoje um prato consolidado e importante. Que ela representa muitas possibilidades e, certamente, que pode ser do mundo e nossa ao mesmo tempo.


Para todos os efeitos, a bruaca não tem que ser comparada a comida de rico alguma, pois dinheiro não compra humildade. E para o nordestino não há valor maior.






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